Faz um tempo que Hollywood tem pasteurizado de forma bem escrota suas películas que cruzam as duas classificações “drama”/”comédia”. Tenho passado longe de qualquer coisa que venha já anunciado como “comédia romântica”. Tecnicamente o filme é classificado como “comédia dramática”, mas mesmo assim no começo fiquei com receio, mesmo com o George Clooney tendo acertado na maioria dos seus papéis recentemente, um pé estava atrás. Depois de observar o povo só falando bem do filme, e resenhas rasgando seda, resolvi conferir.
Semana passada, depois de apreciar no cinema, descobri que a película ganhou o Globo de Ouro 2012 de melhor filme (reparem como eu estou atualizado). Bom, com exceção de “Tudo pelo Poder“, os outros concorrentes eu não assisti, mas entre os dois, o petardo objeto dessa postagem abre uma certa vantagem e realmente merecia ganhar.
Bom, vamos lá, “Os Descendentes” é daqueles poucos (ótimos) filmes que se propõem a falar de amor naquela sua “camada de conceito” mais ampla (pois sabemos que amor tem zilhões de possibilidades conceituais) sem escorregar, e deixando tudo redondo. Como diz aquele ditado cyber-popular recente, o amor sempre é “outra coisa”, e aqui temos um filme que destrincha todas as circunstâncias e “não-outras coisas” que fazem a nossa deliciosa e turbulenta trajetória existencial sempre em busca da.. “outra coisa”. Mais isso tudo sem soar épico, ou pretensioso, ou tentando alcançar um realismo “áspero”.
Como o próprio nome diz, o filme foca na família, um quarteto familiar “torto” que tenta ajustar os ângulos e arestas quando uma das pontas está pra partir dessa pra melhor. Um pai de família que se vê na escrota situação de definir os rumos não só do relacionamento com as filhas (os prováveis descendentes que irão salvar a lavoura..), como com os amigos, primos, cunhados, sogro, sogra, etc. Um sujeito inseguro, alienado da própria família, mal amante, mal amado, humano por excelência, perdido numa ilha que é um dos símbolos máximos de “felicidade” e escapismo, a melhor atuação do George Clooney que eu já assisti, sem dúvida.
Depois de ter visto o filme também descobri que foi dirigido por Alexander Payne (o mesmo que dirigiu “Sideways“), o que explica a leveza e simplicidade com que o roteiro é levado, dosando a comédia na medida certa junto a todo o fundo dramático do roteiro.
Talvez essa mão do diretor tenha feito uma parte do povo achar a película meio “café com leite”. Aí vai do grau de pretensão (ou falta dela) que cada um entende como ideal pro bom cinema.
Eu achei que o trabalho foi servido “ao ponto”, e muito bem temperado. Cinemão. Confiram.
P.S.: esse final de semana temos #Oscar né? Eu não ligo muito pra premiação, mas se for pra torcer, vou de “Meia-noite em Paris” e “Os Descendentes”.
nota de avaliação: 9 (ótimo)

Então… não ou fã do Alexander Payne, mas achei outros filmes que vi dirigidos por ele melhores do que esse em questão. Não sei definir bem o que não apreciei tanto em Os Descendentes, mas saí do cinema com a impressão de ter assistido a um filme que poderia funcionar melhor na TV da minha sala.