Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

abril de 2016, 5 itens

1) Último parágrafo da minha última postagem, um mês e alguns dias atrás:

Resumindo: a ‘democracia adulta’ aparentemente ainda não vingou no Brasil (torço com todas as forças para estar errado). Golpe ‘branco’, alguns semestres de economia em retomada e o “novo fascista” esquece da ‘cruzada anti-corrupção’, o sistema segue. E la nave va.

O golpe “branco” está aí, 17 de abril desnudou tudo,  a Lava-Jato começa a desbotar no noticiário, e o cronograma do “resumo” segue milimétrica e tristemente na direção que eu não torcia.

2) Se há um lado bom, o pós-17 de abril arrefeceu o “animus odiosus” do Homer Simpson reaça tupiniquim. A “média” tranquilizou-se. E até podemos verificar em bares e padocas alguns leves e comedidos debates civilizados de política. Mas ainda tudo germinal.

3) Jair Bolsonaro, o que dizer desse possível ser humano? Alguém consegue vislumbrar um deputado argentino homenageando um ditador no Congreso em Buenos Aires. Ou algum parlamentar alemão homenageando Hitler no parlamento europeu? É insólito, é bizarro, é Bolsonaro.

4) Neste último mês pude me infiltrar nos movimentos “coxinha” e “mortadela” nas minhas idas e vindas da “ponte-rodoviária” Campinas-São Paulo. Ao contrário do que boa parte da falecida “opinião pública” leva a crer, existe sim um caracter classista e econômico nessa clivagem brazuca. Botei a mochila nas costas, saí das highlanders da Avenida Paulista e segui rumo ao valley do Anhanga observando os manifestantes, by bus, by foot. Era nítido, era toscamente óbvio. Era aquela velha e imbatível frase de um certo barba, que eu concordo na crítica mas não na solução, e que eu deixava exposta na parede da minha old kitnet quando mais “djovem” em sampa:

mural ape sp

5) O que me incomoda mais é o horizonte político do tabuleiro. Lula já cumpriu o seu papel. Marina segue pasteurizada, ainda não criou “substância política” para dizer realmente a que veio. Ciro e seu eterno passeio outsider não me inspira confiança. Talvez dê pra vislumbrar um Haddad no fim do túnel, mas esse terá um trabalho hercúleo pra se posicionar e conseguir se viabilizar. Orfandade de representatividade política, uma provável novidade pra mim em 2018, ou seja lá quando voltemos a ter legitimidade política para sair do banana mode.

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março de 2016, 5 itens

Aproveitando que eu me animo pra escrever nas manhãs de sábado.

Algumas considerações sobre este mês histórico:

1) Perdemos a oportunidade de fazer uma reforma política profunda, proposta lá atrás pela mulher que provavelmente vai sofrer um “golpe branco” (com voto dos ratos de porão). Toda a “missão” da “Operação Lava-jato” provavelmente irá se diluir e será abafada, e o giro da roda continuará o mesmo. Essa é minha aposta.

2) Johnny Maguire, juiz de Lexington, do condado de Kentucky, “vaza” pra mídia gravações feitas após o fim legal das escutas juntadas a um processo (pedidas por ele mesmo) entre o ainda-não-réu-e-investigado Barack Obama (um político famoso daquele país, também ex-presidente, acusado de ter um rancho não declarado em Greenville, Illinois que ele vai todo final de semana, com reforma custeada por uns antigos “mates” da indústria de tecnologia – e que ganharam rios de dinheiro em seu governo -, mas que ele diz que não é dele) e a Presidente Hillary Clinton, que irá nomeá-lo no dia seguinte Chanceler. Obama conversa sobre política, diz que está sendo “chased” e fala de detalhes sobre sua posse, usando gírias como “daddy”, “flossin”, “lame”. O que acontece com Johnny Maguire? Just a little of imagination.

3) 25, v-i-n-t-e e c-i-n-c-o advogados de um escritório de advocacia tem seu sigilo profissional quebrado, abarcando mais de 300 clientes. Você, que fez cinco anos de faculdade de Direito, simplesmente decreta para si mesmo o começo do fim do que se convencionou chamar de Estado de Direito no seu país.

4) Ressurgiu de uma forma pasteurizada, mas com organização e volume, o fascista tupiniquim. E aqui o PT, PSDB, e demais ditas forças democráticas estabelecidas tem culpa no cartório.

5) Eu me considero um liberal (político) de esquerda, não sou marxista. Porém, eu estou com Marx em um ponto ainda inabalável da sua crítica: a economia é a base de tudo, e mede a qualidade da “superestrutura” (ou democracia). Em Republic of Bananas around the world, não há conta vencida, cheque especial estourado, oligarquias falidas em massa que segure um governo, seja A, B, ou C, verde, amarelo, ou vermelho. Isto é, março decreta, still banana.

Resumindo: a “democracia adulta” aparentemente ainda não vingou no Brasil (torço com todas as forças para estar errado). Golpe “branco”, alguns semestres de economia em retomada e o “novo fascista” esquece da “cruzada anti-corrupção”, o sistema segue. E la nave va.

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carnaval e sofrimento

garota carnaval 2016

O conceito clássico de carnaval sempre teve em suas entranhas essa “explicação”, algo como um descarrego, a nossa “descarga” anual de sofrimento. Esse ano tive a oportunidade de passar dois dias no carnaval paulistano, acompanhar alguns blocos de rua in loco, submergir na zoeira. Em outros anos já acompanhei (de leve) em São Paulo mesmo, e era diferente. Não sei explicar bem, o feeling era outro, mais pasteurizado. Dessa vez não, transpirava uma genuína “porra-louquice” nos foliões. Um extravasar de qualidade. Aí comecei a ligar alguns pontos, 2016,  tentando sair do fundo do poço de um certo turbilhão político e econômico. Provavelmente o primeiro ano em mais de uma década de genuíno sofrimento pra patuléia, e um carnaval muito mais encorpado e autêntico. A “explicação” faz todo o sentido. Pelo menos eu senti, ou estou nadando em algum tipo de “miopia empática”.

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