Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

a resistência (a.k.a. pequeno pseudo-libelo de auto-ajuda)

*** opening – pequeno pseudo-libelo de auto-ajuda ***

Acompanhar o “estado do mundo” com racionalidade e análise neste começo de século é lembrar do começo do século passado. Estamos num momento de transição em desagregação. Não sei se o start foi o 11 de setembro de 2001. Pra mim o “estado do mundo” começou a entornar o caldo foi ali em 2008 e 2009. Tivemos o crash da economia mundial, as forças mais retrógradas da direita começaram a ganhar fôlego, a música pop começou a ficar muito ruim (sim, temos que levar a música pop – no sentido amplo – a sério). Alguma coisa aconteceu que criou um “vórtice” de desagregação a partir desse ponto. Aqui no Brasil sentimos a força desse processo ali em 2013, 2014, quando o consenso do “lulismo” foi pro saco de vez.

Temer e amiguinhos desmanchando a “mini-social-democracia” brazuca, grotões do Reino Unido dando o primeiro passo pra implodir a União Européia, a “sombra” do Trump sobre os Estados Unidos da América, a bizarrice do “Estado Islâmico” cada vez ganhando mais força, fãs do Radiohead apanhando em plena cosmopolita Istambul (sim, temos que levar a música pop – no sentido amplo – a sério). Pois é, o mundo não está bão Sebastião.

Mas vamos lá, uma das funções do blog é lançar mensagens. Pois hoje estamos aqui pra essa: crie sua resistência. A coisa começa aí, no plano individual. Se você também acha que as melhores energias que movem a civilização estão atônitas e paralisadas, que suas aulas de histórias te levam a conclusão que estamos num lamaçal típico de pré-guerra mundial. Crie sua resistência. Foi assim que o mundo sobreviveu à primeira metade do século XX. Os indivíduos resistiram, forças políticas resistiram, países resistiram, e hoje estamos aí, em pé com todos os sentidos ativos para encarar o sol e o céu azul.

Como disse, comece no individual. Ignore a energia daquele seu tio ou primo que fica compartilhando postagens dos “Bolsominions” e all the stuff que vem no pacote, e em geral das pessoas que estão embarcando nessa “onda”. A alienação sempre moveu a história pros seus momentos mais sombrios. Não “trave” diante disso. Crie sua resistência denunciando (sem porra-louquice, mas no low profile), buscando os outros “resistentes”, e submergindo de leve nas “marolinhas” do bom senso. Foi assim que sobrevivemos lá atrás, e vamos sobreviver mais uma vez. Fazendo política no concreto, e não na histeria.

O medo é o vórtice que está aí ganhando força feito um furacão no meio das águas do Caribe neste momento. O medo criou Hitler, o medo criou Donald Trump, o medo criou o ISIS, o medo criou Darth Vader (sim, temos que levar a cultura pop – no sentido amplo – a sério). Na sua resistência tenha sempre em mente quatro fatores: tudo passa, você nunca vai estar sozinho, não paralise, e controle o seu “combo-anti-jedi” de medo e raiva. No final, vai ter yankee desembarcando na Normandia e uma bandeira soviética nos escombros de Berlim. Aguarde e confie.

*** closing – pequeno pseudo-libelo de auto-ajuda ***
p.s: essa postagem é fruto de uma conversa gostosa num sábado à noite com amigos e parentes, por incrível que pareça.
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maio de 2016, 5 itens

1) Terceiro parágrafo da minha última postagem, um mês e alguns dias atrás:

O golpe “branco” está aí, 17 de abril desnudou tudo,  a Lava-Jato começa a desbotar no noticiário, e o cronograma do “resumo” segue milimétrica e tristemente na direção que eu não torcia.

Digamos que Romero Jucá “redesnudou” o desnudado. E a “Lava-Jato” parece que ganhou uma sobrevida, pelo menos por enquanto. Na torcida para que ela consiga pelo menos inspirar um ponta pé inicial em uma reforma política pra valer.

2) Maio sempre é transição pra mim. É engraçado, e ao mesmo tempo intrigante. O interessante é que é quase sempre novidadeiro pra alguém querido, ou pelo menos dá aquela sensação de que pros outros algo “acontece”.

3) Apesar que não é 100% transição vai, algo “acontece”, é um mês com vários aniversários de pessoas queridas, e é tipo um mês de “proto-definições” de parâmetros pro resto do ano: posso definir todas as “metas espirituais” do mundo em janeiro que tudo se evapora ou se dilui em outra coisa nos três meses seguintes. Em junho-julho a gente invariavelmente fecha alguma coisa.

4) Maio é o mês das primeiras, e mais gostosas, overdoses de cafeína.

5) E por falar em overdoses, “El Niño” está deixando esse outono muito “invernado”, o que é um porre. E essa sensação de stand by ad eternum angustia qualquer alma mais novidadeira. Na política. No espírito. Pelo menos no espírito eu já estou me posicionando com as melhores armas de Jorge. Precisamos largar a calmaria e se jogar na próxima onda.

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abril de 2016, 5 itens

1) Último parágrafo da minha última postagem, um mês e alguns dias atrás:

Resumindo: a ‘democracia adulta’ aparentemente ainda não vingou no Brasil (torço com todas as forças para estar errado). Golpe ‘branco’, alguns semestres de economia em retomada e o “novo fascista” esquece da ‘cruzada anti-corrupção’, o sistema segue. E la nave va.

O golpe “branco” está aí, 17 de abril desnudou tudo,  a Lava-Jato começa a desbotar no noticiário, e o cronograma do “resumo” segue milimétrica e tristemente na direção que eu não torcia.

2) Se há um lado bom, o pós-17 de abril arrefeceu o “animus odiosus” do Homer Simpson reaça tupiniquim. A “média” tranquilizou-se. E até podemos verificar em bares e padocas alguns leves e comedidos debates civilizados de política. Mas ainda tudo germinal.

3) Jair Bolsonaro, o que dizer desse possível ser humano? Alguém consegue vislumbrar um deputado argentino homenageando um ditador no Congreso em Buenos Aires. Ou algum parlamentar alemão homenageando Hitler no parlamento europeu? É insólito, é bizarro, é Bolsonaro.

4) Neste último mês pude me infiltrar nos movimentos “coxinha” e “mortadela” nas minhas idas e vindas da “ponte-rodoviária” Campinas-São Paulo. Ao contrário do que boa parte da falecida “opinião pública” leva a crer, existe sim um caracter classista e econômico nessa clivagem brazuca. Botei a mochila nas costas, saí das highlanders da Avenida Paulista e segui rumo ao valley do Anhanga observando os manifestantes, by bus, by foot. Era nítido, era toscamente óbvio. Era aquela velha e imbatível frase de um certo barba, que eu concordo na crítica mas não na solução, e que eu deixava exposta na parede da minha old kitnet quando mais “djovem” em sampa:

mural ape sp

5) O que me incomoda mais é o horizonte político do tabuleiro. Lula já cumpriu o seu papel. Marina segue pasteurizada, ainda não criou “substância política” para dizer realmente a que veio. Ciro e seu eterno passeio outsider não me inspira confiança. Talvez dê pra vislumbrar um Haddad no fim do túnel, mas esse terá um trabalho hercúleo pra se posicionar e conseguir se viabilizar. Orfandade de representatividade política, uma provável novidade pra mim em 2018, ou seja lá quando voltemos a ter legitimidade política para sair do banana mode.

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