Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

bolacha na vitrola: Chasing Yesterday e Epic

Dois álbuns que estão sendo bem malhados no player ultimamente, e merecem uma postagem. Um é um conhecido “peso pesado” da música pop, outra uma novata que me levou à um crush melódico-musical recente.

Noel Gallagher Chasing Yesterday

Chasing Yesterday (Noel Gallagher, 2015): Depois de muita “preguicite”, finalmente chegou o novo petardo do nosso estimado Noel. Como era de se esperar, polêmico. Mas até agora ouvi mais elogios do que reclamações. E pra variar, tudo paira, claro, na comparação com a obra com o Oasis. Acertadamente, o sujeito, que no debut solo ficou no meio termo, se afastou bem dos “paradigmas oasisianos” de canções blockbusters e partiu em definitivo para uma espécie de “liquidificador de colagens” pop mais intimistas. Curiosamente, duas das canções que eu mais gostei possuem nada discretos samplers de músicas do Oasis: a belezura Riverman e The Girl With X-Ray Eyes, que possui uma linha de baixo deliciosa. As mais fraquinhas ficam por conta dos singles In The Heat Of The Moment e Ballad Of The Mighty I, onde parece que Noel tenta jogar pra uma platéia de fãs off-britpop. Como ele sempre faz, conseguiu deixar um “sortidos” de músicas de alto nível de fora do álbum, digamos, normal. Apenas a versão japa deluxe possuem as pérolas Do The Damage, Revolution Song, Freaky Teeth, e a “beatlereverencial” Leave My Guitar Alone. Em suma, não dá pra reclamar que ele não é fiel ao que propõe no título do álbum, e isso não é pouco. Pra mim, é nota 10. E pra finalizar, fiquemos com outra das minhas favoritas, Dying Of The Light, aqui em uma gostosinha versão acústica.

cotação empty spaces: 10

 

Sharon Van Etten Epic

Epic (Sharon Van Etten, 2010): Acho que a melhor definição do som dela foi a que eu deixei lá no Facebook, uma espécie de Neil Young de saias, com um “tempero” céltico na “pegada” melódica. Meu primeiro contato foi com o último trabalho da moça, chamado Are We There. Porém, foi esse trabalho mais antigo, Epic, que me fisgou. Letras muito boas, um clima de melancolia que foge de uma densidade mais soturna e joga pra algo que poderíamos chamar de “cinismo doce e altivo”. Em outras palavras, não te joga pra baixo, mas te deixa ali numa “zona de conforto” sentimental anti-apelativa. É coisa fina, finíssima. O álbum tem poucas e matadoras canções, mas eu colocaria num patamar mais alto Save Yourself, One Day, e a minha favorita, Peace Signs. Essa mocinha prova que o dito mercado musical indie, apesar do aparente “mar de marasmo”, numa garimpagem mais detalhada, faz surgir “bolachas” diferenciadas. E palmas pro produtor do disco que lançou mão de arranjos elegantes e preencheu muito bem os espaços do que poderia ser um recatado trabalho de voz/violão que esconderia todo o talento da tímida Sharon. E vamos lá pra mais um videozinho, musical crush mode on.

 

cotação empty spaces: 9,45

OBS: “Bolacha na Vitrola” não é crítica de música especializada, as opiniões e cotações aqui expostas são mera e espontaneamente leigas e impulsivas.

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mais divagações sobre o tempo e medidas de relatividade

Patio dos Leoes

Este é o portão do “Pátio dos Leões”. Eu sempre tenho a memória muito clara. Era janeiro ou fevereiro de 1999 e eu entrava por este pátio para o meu primeiro contato com o universo universitário (ficou péssimo isso). O “mundo adulto” chegou pra mim ali, com seus estresses e maravilhas.

Sempre quando eu acabo divagando sobre o tempo é esta memória que aparece fresca na minha cabeça. É um parâmetro que “pipoca” na mente. A última “pipocada” no caso, foi me (re)lembrar esta manhã que estamos no ano de 2015.

15 anos. É interessante constatar como cada um reage e tem a sua medida de relatividade do tempo. Convencionalmente, é tempo, muito tempo, uma década e meia. Tempo suficiente para existirem duas bandas The Beatles. Porém, para mim, ali no dito íntimo existencial, tudo está muito perto e muito ligado àquela sensação de liberdade dos primeiros passos. Não consigo ver o “velho” em quem teoricamente estou me tornando.

Quando divagamos sobre isso fica fácil notar que muitas pessoas (provavelmente a maioria) trabalham com uma medida de relatividade oposta. E aparentemente afirmam categoricamente para si mesmas, sem pestanejar: 15 anos passados, estou velho.

Eu sempre brinco com o meu vindouro e socialmente convencionado estado de “tio”, mas não consigo me sentir assim. Pelo contrário, estou espiritualmente mais com o meu “eu” de 1999, trabalhando junto com ele como um irmão uns dois anos mais velho.

Esse tipo de internalização parece ser determinante na nosso de existência, e é muito fácil sentir isso. Assim como é fácil sentir e entender, já que citamos Beatles, como um sujeito como Paul McCartney não abandona o seu “eu” de 20 e poucos anos e definitivamente não é o que poderíamos chamar convencionalmente de um vovô de 70 anos.

Para ele, a sua medida de relatividade está com o seu “eu de liberdade” que ele não abandona.

E eu queria arriscar que, a despeito de condições outras que estão fora do nosso controle e possam interferir, traçar essa medida é uma escolha, uma opção.

Estou filosoficamente com o “partido do livre arbítrio”. O que ajuda a deixar tudo muito mais leve e gostoso. Como a xícara de café desta preguiçosa manhã que beira à perfeição, obviamente, na medida da minha cafeinada relatividade.

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