
(fugindo do ditado, a capa é tão boa quanto o conteúdo)
Hoje, há quarenta anos atrás, o clássico álbum The Dark Side Of The Moon era lançado na Inglaterra. Quebra de recorde de vendas, uma quase unanimidade crítica. O melhor do que a música pop já criou em termos de “rock cabeça”.
O que eu mais gosto neste super “bolachão” é a forma quase mágica com que Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason conseguiram fazer um álbum tecnicamente perfeito, sofisticado, mas paradoxalmente simples na criação da sonoridade e no lirismo direto com que fala de temas “sérios” que no conjunto formam uma espécie de “pacote-compacto-pop” sobre as “dores” e angústias da vida pós-moderna.
Os Beatles fizeram Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e inauguram o modelo de álbum conceitual, trazendo sofisticação para a música pop. O Pink Floyd trouxe, com o “disco do prisma”, a pretensão na medida certa pra exalar filosofia no rock and roll.
A medida foi tão certeira que nenhuma outra banda conseguiu fazer algo semelhante (*) sem parecer em alguma medida chata, megalomaníaca e/ou pedante. Inclusive o próprio Pink Floyd, que produziu alguns álbuns clássicos na sequência, mas nada que igualasse o petardo de 1973.
Aliás, The Dark Side of The Moon foi ironicamente uma espécie de gatilho que deu início à contagem regressiva de uma bomba-relógio que implodiu a banda alguns anos depois.
Em outras palavras, a própria banda experimentou da mensagem básica que vem embutida nesse tesão de álbum: se a merda for pro ventilador, não se preocupe, todos nós nos encontraremos no lado escuro da lua.

(Pink Floyd)
(*) Aqui poderíamos colocar o Radiohead como exceção, com OK Computer em 1997, apesar que eu acho que a banda do Thom Yorke chegou lá trilhando um caminho com uma proposta bem menos pretensiosa, levando-se em conta as respectivas épocas e cenas musicais.
nota de avaliação: 10 (ótimo, com viés de perfeição)