Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

sommelier de cafeína: Native café orgânico

Native Cafe Instantaneo

Este blog não recebe subvenções para propaganda, mas não é por isso que vai deixar de divulgar coisa boa, é da nossa política. E cá estamos abrindo mais uma tag tosca, o sommelier de cafeína. O objetivo é resenhar (ou editar coisa parecida) sobre cafeína e seus derivados, esse químico maravilhoso que é simplesmente o motor da humanidade, e o meu.

Hoje falaremos sobre o café instantâneo clicado acima, da marca Native. É uma marca de produtos orgânicos muito boa, que eu consumo com razoável frequência aliás (o açúcar básico no meu cafofo é deles já faz um bom tempo, o achocolatado também foi aprovado recentemente – dica do meu velho).

Gosto de experimentar (e adotar, se possível) produtos orgânicos nesses filamentos mais críticos, digamos assim, da alimentação, com consumo mais que diário e concentrado. Depois do açúcar e do achocolatado, foi a vez do café.

Sou um adepto da praticidade do café instantâneo. Pela própria natureza, é um café “pé de boi”, onde não dá pra ficar notando nuances de sabor. Logo, quando via na prateleira do mercado essa versão orgânica, ignorava. Afinal, que diferença faz (deixando de lado aqui a questão da etiqueta orgânico e pensando exclusivamente no sabor)?

Porém, foi uma surpresa bem legal quando resolvi arriscar (e pagar violentas 12 “dilmas” nesse frasquinho), e fez toda a diferença. Com um sabor bem mais suave e equilibrado do que a média dos instantâneos de marcas tradicionais. Até as eventuais dores de cabeça que eu sinto quando consumo certos cafés não apareceu (ainda) neste caso (lendo sobre o assunto, começo a suspeitar da causa*). Sem sinal também de um constante e bem definido (mas não explicável) amargor escroto que surge no durante e na pós-degustação de outros cafés.

Apesar da tag-zoeira, eu não sou nenhum técnico em degustação de café, só um grande consumidor e admirador mesmo, então essas nuances e elementos podem ter algo a ver com o tipo de café (basicamente, arábica ou robusta). No rótulo diz “100% arábica, segundo um moderno processo de liofilização**”. No rótulo do outro “pé de boi” que eu consumia nem fala o tipo de café, muito menos o processo.

Então #ficadica pros leitores deste blog admiradores do grão: pelo menos na versão instantânea, “liofila” a bagaça que o sabor melhora horrores (pelo que eu entendi nem todo café instantâneo é liofilizado). E vão atrás deste produto que vale a pena. A concentração e qualidade do mesmo compensa e dilui o preço salgado ao longo do mês, nas pequenas doses diárias. E faz o seu dia começar muito mais saboroso.

* “O robusta contém duas vezes mais cafeína do que o arábica.” (Wikipedia).
** “O café liofilizado é obtido através de um processo, no qual uma amostra de café fresco recém preparado é congelado e logo após é colocado em um recipiente. Na secagem por liofilização, o extrato é congelado a temperaturas inferiores a 30ºC negativos, sendo então triturado em moinhos especiais e conduzido à câmara de vácuo dentro de bandejas. O vácuo provoca a sublimação do gelo (transformação do sólido para o vapor). Quando a maioria do gelo é retirada, o café liofilizado esta pronto para ser empacotado. (..) Este é um processo químico que conserva o alimento, que tem seu sabor e aroma bem mais preservados durante a industrialização. A liofilização tem vantagens importantes sobre os métodos de processamento do café instantâneo, já que as moléculas responsáveis pelo sabor não são destruídas, como quando o café é secado mediante aquecimento prolongado. Alguns consideram este, um café com sabor sem comparação.” (Mark Café)
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Mr. Bookman

Mr. Bookman

Estou aqui conseguindo dar uma paradinha pra fuçar os meus livros “de cabeceira”. Entre aspas mesmo porque minha cama não tem cabeceira. A vida em kitnet tem destas. Os ditos cujos repousam sobre a tampa da minha vitrola. E por falta de um, tenho atualmente quatro (!) livros “de cabeceira” em leitura. Já falei sobre eles aqui no blog, e recentemente tivemos a chegada da biografia do “Macca” (a prioridade atual).

Mas não quero falar especificamente sobre eles, abri esse editor hoje só pra contar sobre a invariável sensação de “aparição” do Mr. Bookman em minha mente (ou apartamento) sempre quando olho, penso, folheio os meus ditos livros “de cabeceira”. Quem está familiarizado com o universo seinfeldiano já vai saber facilmente do que se trata.

Pra quem não conhece é uma personagem da citada série de humor, aliás, uma das melhores personagens. Em resumo, um fiscal de livros de biblioteca que não mede meios (e palavras) para recuperar livros de biblioteca que não são entregues de volta depois de retirados e emprestados.

E por que raios Mr. Bookman vem me “assombrar” se os livros são meus e não emprestados da biblioteca pública de Nova York? Muito provavelmente está rolando um sentimento de culpa por ter quatro livros “em cabeceira” com leitura a passos de lesma (já regredi do “estágio tartaruga”) que sabe-se se lá quando serão finalizadas.

Bom, nem lembro se o Jerry Seinfeld terminou de ler o exemplar de Trópico de Câncer que ele retirou da biblioteca e emprestou por 20 anos (esquecendo de devolver), mas meus neurônios ficam agora com essa de invariavelmente me pressionar para melhorar a produtividade das leituras descompromissadas.

Eu poderia assumir esse hipotético sentimento de culpa, mas eu me divirto, e muito. Imaginando aquela figura com seu indefectível casaco, entrando pela porta de minha kit, dedo em riste, e pedindo uma xícara de café instantâneo, na vibe: “Well I got a flash for ya, joy-boy: Party time is over. Y’got seven days (..) That is one week!”

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mochila nas costas: Buenos Aires

Buenos Aires 01

Minha primeira viagem internacional. Ao contrário da maioria dos brazucas, que já dá um salto pra Europa ou pros states, eu preferi prestigiar a terra dos nossos hermanos argentinos. Primeiro, pela facilidade logística e burocrática. Segundo, pela empatia mesmo. Embora brinque com a rivalidade futebolística, e como bom corinthiano, sempre admirei a garra e a altivez elegante dos argentinos.

E esse foi o primeiro ponto, e o que eu encontrei: a quebra dos esteriótipos. Apesar de não falar nada de espanhol, e de trabalhar com um “portunhol” escrotíssimo, durante minha estadia de quatro dias, sempre fui bem tratado. Não recebi nenhuma “patada” argentina, nem fui tratado com desdém ou inferioridade. Pelo contrário.

Buenos Aires 04

Aí você pode vir com o argumento: “mas eles estão em crise”. And money talks. Pera lá, a economia deles pode não estar a mil maravilhas, mas não vi nada por lá que chancelasse aquele clichê econômico recente “os argentinos estão quebrados”.

O que eu percebi é uma óbvia diferença de tamanho da economia. A economia deles deve ter o tamanho da do estado de São Paulo isolado, se não for menor. Isso fica claro ao chegar no aeroporto de Ezeiza, comparando com Guarulhos, a escala diminui.

Essa escala econômica menor, junto a um nível cultural médio mais elevado me levou a outra constatação: eles são um povo bem menos consumista que nós. Reparei no hotel, nos restaurantes, nas lojas em geral. Os talheres são mais antigos, gastos, o mesmo com os móveis. A impressão geral que fica é que é tudo muito mais retrô, e vintage. Porém, sem qualquer sensação de estagnação econômica ou “ares cubanos”.

Buenos Aires 06

Agora falando especificamente sobre a cidade, é uma belezura. Todo mundo (e o clichê turístico) diz que Buenos Aires é a “Paris da América do Sul”. Bom, eu não conheço Paris, mas com meu juízo que vem do que ouço, leio, observo, e do sacrossanto google street view, posso dizer que Buenos Aires está mais pra uma possível Londres latino-americana do que pra Paris. Há um cosmopolitismo violento pelas ruas da cidade. Discreto, mas ele está lá. E eu também vi e senti muito da cidade de São Paulo em Buenos Aires, mais do que eu imaginaria.

Aliás, a grande região central portenha é como aquele mini “centrão velho” de São Paulo (que resiste bravamente) expandido vinte, trinta vezes. Bem cuidado, e valorizado. Nessa região, praticamente a cada quarteirão é possível encontrar uma boa cafeteria, uma boa livraria e/ou um bom sebo. E claro, Buenos Aires é um paraíso pra quem gosta de cultura e arquitetura urbana. Belos edifícios, muitos parques, belas avenidas. Um deleite pra quem, como eu, adora “bater perna” pela urbanidade alheia.

Buenos Aires 08

Mas como toda cidade pós-moderna capitalista que se preze, Buenos Aires tem seu lado “ostentação” e seu lado work class hero. Caracterizados respectivamente pelos bairros Recoleta e La Boca. Pude conhecer e vivenciar os dois. E foi inevitável aquela comparação paulistana Higienópolis/Jardins versus Itaquera/Guaianases. Guardadas as devidas proporções.

Outra coisa muito interessante que eu notei, logo na chegada, foi a questão do cheiro. Como bem determina o nome da cidade, Buenos Aires tem um cheiro bom, bons ares, literalmente. Um certo perfume pelas ruas, principalmente pelas centrais. Bom, pode ser que tenha algo a ver com eu estar acostumado com o “perfume” paulistano, que leva a marca do nosso querido Tietê. Ou pode ter a ver com o fato da cidade ter uma área verde abundante. Ou simplesmente as lojinhas portenhas gostam de enfiar um “aromatizante de ar” pra atrair cliente. Não sei. Mas é um cheiro agradável, onipresente.

Buenos Aires 07

Enquanto estive por lá, botei na cabeça que não iria andar de táxi. Iria fazer tudo de metrô, busão, ou à pé. Deu certo. E tirei mais uma conclusão: o metrô paulistano, apesar de toda a saturação, é realmente (ainda) uma belezura internacional. No primeiro dia cheio por lá, foi tranquila a locomoção pois passei 3/4 do dia no city tour, com busão fretado levando pra lá e pra cá. Já no segundo dia tive que recorrer ao metrô (não tive a manha de decifrar o busão portenho, principalmente pela preguiça de ter que usar moedas e/ou comprar o cartão deles tipo “bilhete único”), e aí tive a oportunidade de ter meus flashes de lembrança da linha vermelha no final de tarde paulistano. Pode ter sido alguma coincidência, mas peguei um rush hour logo depois do almoço na dita “linha verde” portenha que foi tenso, com o agravante dos trens dessa linha serem um tipo de CPTM underground, sem ar condicionado. Mas era isso mesmo que eu queria, viver a cidade na sua plenitude urbana.

Mas enfim, concluindo, e como eu sentia que iria acontecer, voltei de Buenos Aires com um gostinho de “quero mais” no espírito. Quem sabe um novo período pra uma “imersão” em um curso de espanhol intensivo? É uma possibilidade mais que factível. Sem falar no caminho que se abriu pra “ponte área do cosmopolitismo sul americano” (São Paulo – Buenos Aires).

Buenos Aires 05

Bom, vamos lá, uma brevíssima e pragmática “ficha de viagem”:

Um Hotel: Imperial Park

Onde fiquei hospedado, dica de uma amiga. É um bom hotel pra quem não exige muito de hospedagem (o básico, com um bom conforto) e prioriza localização. Deve ser um dos hotéis mais bem localizados de Buenos Aires, perto de tudo no centro da cidade. Pontos negativos: café da manhã é limitado, principalmente no final de semana quando o hotel enche, e tive uma certa dificuldade pra decifrar o termostato do chuveiro old-school).

Um restaurante pro dia-dia: La Esquina de Garufa

Jantei nesse restaurante a maioria dos dias da estadia, fica a uma quadra do hotel Imperial Park, na esquina da calle Lima com Avenida de Mayo. A comida é o tradicional da culinária argentina mas sem muita elaboração. Não chega a ser algo na linha do “comercial” brazuca, mas é algo que passa longe de uma cozinha refinada, ou gourmet. O melhor é o preço, e o atendimento. Os garçons são simpáticos, “arranham” bem o português, e pelo que percebi o lugar vive infestado de brasileiros.

Buenos Aires 03

Meus lugares favoritos: De toda a andança que eu fiz, incluindo o city tour, o lugar que eu mais gostei foi o centrão da cidade, em especial o quadrante da região da esquina da Avenida Callao com a Avenida Corrientes. Ali é o que poderíamos definir como o “fervo” da cultura urbana da cidade. Muitas livrarias, teatros, cafés, restaurantes. Outra ponto que eu gostei muito também é a Avenida de Mayo, desde a Plaza de los Dos Congresos até a Plaza de Mayo, vale a pena andar por ela todinha, observando cada detalhe urbano e humano. O “coração” de Buenos Aires.

Um transporte: Subte

Não dá pra ficar comparando com o metrô de São Paulo, em termos de eficiência (tempo entre os trens) e limpeza, mas o importante é que funciona. A rede é muito boa (comparando inclusive com SP) e deixa você se deslocar fácil pela cidade sem precisar usar muito táxi. Eu, por exemplo, fui da Catedral da cidade até o Jardim Japonês sem precisar pegar um táxi, usando apenas o metrô e meu par de sapatênis.

Um Café: Confiteria London City

Outra dica de uma amiga. Fui em pouquíssimos cafés, devido ao tempo escasso, e ao peso do almoço portenho que me deixava com a barriga cheia por uma boa parte do dia. Mas este é o que eles consideram um clássico portenho, junto com o Café Tortoni (esse não consegui conferir, todas as vezes que passei na frente estava lotado e com uns seguranças brutamontes na porta, achei muito hype). O London City era e é frequentado por muitas personalidades portenhas, jornalistas, escritores, e era o Café favorito do famoso escritor argentino Julio Cortázar. Tem até um “cantinho” dele preservado lá. Fica junto à estação de metrô Perú no cruzamento da Calle Perú (Florida) com Avenida de Mayo. Café e quitutes aprovados.

Buenos Aires 02

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