Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos por Alexandre Mello

na estrada

(foto por Cristina Traskine)

Trinta e poucos. Os primeiros e intrépidos fios de cabelo branco. Já temos uma boa quilometragem no marcador e passamos pela primeira revisão. O mundo já não é mais tão deslumbrante, mas estamos longe de nos cansarmos dele. De nos cansarmos da vida e suas delícias. Trabalho, horários, clientes, processos, responsabilidades, uma sucção de energia avassaladora semanalmente. Na outra ponta, a cada final de semana, aquela vontade, aquela necessidade de por os pés (ou as rodas do “canela seca”) no asfalto. Nem que seja para dar uma volta ali nos subúrbios e nos distritos. Tomar um café, uma cerveja, ver paisagens, pessoas interessantes. A necessidade da estrada pessoas, quem pode com ela?

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postagem gripada

A segunda da temporada. Mais leve que a primeira. Acredito que logo todas as “atualizações” das serpas 2013 estarão feitas. Estou naquele fase do “barato”. Depois da instalação, o dolorido geral, aquela sensação de moleza, e depois o “barato”. Comentei com chegados e o povo se espantou, só eu sinto “barato” quando pego uma gripe das boas? Bom, mas enfim, não era nem pra eu estar escrevendo aqui. Na verdade era sim, sobre álbuns recentes que escutei, dar uns pitacos. Porém, o que temos agora é cama, e provavelmente mais uma dose de benegripe, ou vamos de dorflex? Estou na dúvida. Chega, já deu, isso aqui é uma não-postagem, e amanhã levantaremos dentro de um comercial da Doriana. Até pessoas.

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bolacha na vitrola: “The Dark Side Of The Moon” quarentão

(fugindo do ditado, a capa é tão boa quanto o conteúdo)

Hoje, há quarenta anos atrás, o clássico álbum The Dark Side Of The Moon era lançado na Inglaterra. Quebra de recorde de vendas, uma quase unanimidade crítica. O melhor do que a música pop já criou em termos de “rock cabeça”.

O que eu mais gosto neste super “bolachão” é a forma quase mágica com que Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason conseguiram fazer um álbum tecnicamente perfeito, sofisticado, mas paradoxalmente simples na criação da sonoridade e no lirismo direto com que fala de temas “sérios” que no conjunto formam uma espécie de “pacote-compacto-pop” sobre as “dores” e angústias da vida pós-moderna.

Os Beatles fizeram Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e inauguram o modelo de álbum conceitual, trazendo sofisticação para a música pop. O Pink Floyd trouxe, com o “disco do prisma”, a pretensão na medida certa pra exalar filosofia no rock and roll.

A medida foi tão certeira que nenhuma outra banda conseguiu fazer algo semelhante (*) sem parecer em alguma medida chata, megalomaníaca e/ou pedante. Inclusive o próprio Pink Floyd, que produziu alguns álbuns clássicos na sequência, mas nada que igualasse o petardo de 1973.

Aliás, The Dark Side of The Moon foi ironicamente uma espécie de gatilho que deu início à contagem regressiva de uma bomba-relógio que implodiu a banda alguns anos depois.

Em outras palavras, a própria banda experimentou da mensagem básica que vem embutida nesse tesão de álbum: se a merda for pro ventilador, não se preocupe, todos nós nos encontraremos no lado escuro da lua.

(Pink Floyd)
(*) Aqui poderíamos colocar o Radiohead como exceção, com OK Computer em 1997, apesar que eu acho que a banda do Thom Yorke chegou lá trilhando um caminho com uma proposta bem menos pretensiosa, levando-se em conta as respectivas épocas e cenas musicais.

nota de avaliação: 10 (ótimo, com viés de perfeição)

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10 anos da invasão “babaco-bushiana”

Parece que foi ontem que eu vi George Walker Bush levando sapatada ao vivo em transmissão televisiva planetária. Sinal de que eu, você, e todos nós estamos ficando velhos. As vezes eu me pego pensando: meus avós acompanharam o horror da 2ª guerra mundial, meus pais acompanharam a “revolução” hippie, o flower power e a guerra do Vietnã, eu acompanhei as toneladas de trapalhadas do provável líder mundial mais tosco ever made. É dureza.

Ontem mesmo estava lendo que a empreitada que começou com as estripulias do sujeito já contou até hoje o acumulado de mais de vinte vezes o valor inicial projetado em custos totais para o erário e o povo yankee: 1,6 trilhões de dólares. É mole?

O difícil mesmo é achar um adjetivo depreciativo que melhor se enquadre e defina essa figura humana, mas eu deixo vocês com os versos da minha inglesinha favorita, que soube interpretar e definir com estilo o bagaço, sem arestas.

“Em 2003, George Bush anunciou o início da ofensiva da chamada ‘Guerra ao Terror’, no Iraque. À época, o custo esperado para a ação militar era entre US$50 e US$60 bilhões. Dez anos depois, os gastos com a empreitada já ultrapassaram US$ 1.6 trilhões e projeções indicam que os custos podem chegar a US$ 6 trilhões até 2053.” (Agência Pública, no Facebook)

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