Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos por Alexandre Mello

gostosinhas na vitrola: “Friends To Go” (Paul McCartney)

Uma música que é a mais tocada das faixas mais tocadas do chart do perfil no last.fm deste blogueiro, com 256 execuções (até o momento da edição desta postagem), não é uma gostosinha, é uma gostosona, a irresistível Friends To Go. Eu diria que se um dia tivesse que escolher a minha canção favorita, provavelmente seria esta. Perfeita, irretocável, pop até a medula, mas autêntica, sincera, simples e ao mesmo tempo existencialista, com um compasso e delineamento musical deliciosos, uma letra que eu diria que é acidentalmente genial, que fala de tudo que nossa vida pode ser (de essencial) num jogo de frases inocente e totalmente despretensioso. O fino do fino dos biscoitos finíssimos.

 

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a Copa das Copas

Copa 2014

A memória mais antiga que eu tenho de acompanhar Copa do Mundo é a de 1990. Mais precisamente aquele drible do Caniggia no nosso goleiro Taffarel. De tudo que vi e acompanhei das Copas posteriores, nenhuma foi tão emocionante e interessante como a deste ano, em terras tupiniquins. Mesmo o nosso tombo humilhante nas semifinais me fez mudar de idéia, pelo contrário.

Tive a oportunidade de viver por alguns dias o clima e o “caldeirão” de nacionalidades que tomou conta de São Paulo. Como diria o pessoal do twitter, um dos centros da “zueira”. Descer a rua Augusta num final de semana e ver ingleses, alemães, mexicanos, bolivianos, argentinos, punks, travestis, prostitutas, “manos”, “minas”, “coxinhas”, e skinheads, todos sintonizados na mesma vibe foi delicioso.

Independentemente da organização e da logística, que deram certo, esta pode ser classificada como a “Copa das Copas” pelo verbo a ser usado a priori. Nós, brasileiros, não apenas sediamos, como vivemos uma Copa do Mundo. Essa foi a diferença, que, obviamente, se somou ao desempenho das equipes que estavam todas ansiosas e sedentas por jogar “no país do futebol”. Resultado: grandes jogos, fortes emoções, e gringos “babando ovo” pra nossa hospitalidade.

E claro, até nossa triste e violenta saída do Mundial foi providencial, didática, e simbólica. Como bem disse o cronista Antonio Prata num ótimo texto, nosso país, nossa nação, deixou de ser finalmente menor moralmente que a nossa seleção:

“Por muito tempo, fomos um arremedo de país com uma seleção deslumbrante. Eu não cairia no exagero de dizer que a equação se inverteu: estamos longe de ser um país deslumbrante – socialmente, economicamente, eticamente -, mas o que percebi em meio à muvuca e me salvou da depressão foi que, hoje, o Brasil é melhor que sua seleção.”

Não triunfamos, mas a Copa do Mundo 2014, a copa da brazuca, a “copa da zueira”, foi biscoito fino. E eu só me culpo um pouco por não ter tentado correr atrás de um ingresso. Lá atrás, no começo. Quando ainda era possível para pobres mortais adquirir um.

E parabéns aos campeões alemães e aos argentinos, que apresentaram, cada um ao seu estilo, um futebol de 1ª classe neste 13 de julho. Seria a final das finais? Quem sabe, com certeza está entre as maiores.

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9 de julho

constituicao de 32

Eu, como bom paulista orgulhoso da minha terra natal, mas com uma visão crítica da política de uma maneira geral (e da paulista em particular), não consigo cair no 8 ou 80 quando falamos da dita Revolução Constitucionalista de 1932.

Já tive professores de colégio e ginásio que profetizavam que a dita revolta não passou de uma reação conservadora às novidades e modernidades que Getúlio Vargas tentava implantar no país, sepultando a dita República Velha. E tive outros que diziam que  o levante fracassado de São Paulo visava salvar o Brasil das supostas “garras totalitaristas” de Getúlio, garras essas que teriam deixado marcas negativas irreversíveis no país até hoje.

Eu sou da opinião de que os dois lados tinham “rabo preso”, e ambos trabalhavam por interesses nada idealistas camuflados. De um lado era claro que a “máquina cafeeira” paulista estava tentando manter seus privilégios econômicos arcaicos, e no outro lado existia um voluntarismo bem escroto que não dava muita bola pro melhor dos valores políticos liberais, ou melhor, não dava quase bola nenhuma.

Assim sendo, eu definiria a revolta de São Paulo nem como um puro movimento redentor e “salvador” dos valores democráticos e nem como um movimento exclusivamente “reaça” e anti-desenvolvimentista que não teve a mínima valia, sendo apenas um estorvo histórico.

A melhor definição seria algo como uma “mal necessário”, um contra golpe que serviu de contrapeso aos excessos centralizadores e o voluntarismo hardcore muito bem conhecido dos getulistas mas que não poderia ter vingado como uma vitória plena.

Em suma, o Brasil melhorou em vários aspectos com a vinda do “trator” Getúlio, mas foi vital o “freio de mão puxado” acionado pelos paulistas. Quem garante que com Getúlio “a 120 km/h” teríamos novas eleições e o upgrade importantíssimo (equilibrado mas bagunçado) que foi a Constituição de 1934? Está certo que o equilíbrio durou pouco, e Getúlio apelou, mas o “xilique” paulista foi fundamental pra história do país.

Podemos cravar a opinião do blog: 9 de julho, um feriado histórico com mérito que deve ser respeitado e ser comemorado sem constrangimento pelos paulistas, mas sem exageros ufanistas babacas e separatistas, please.

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