Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

instante “instagrado”

Sou relativamente novato no uso de smartphones. Até o começo desse ano não tinha um propriamente dito, possuía um quase-semi-smartphone. Quando resolvi comprar um botei na cabeça que o foco, tirando as funcionalidades habituais de um aparelho desses, era ter uma boa câmera fotográfica.

Na época, eu não tinha tanto interesse no instagram, apesar de ter virado uma febre. Até pelo fato de estar usando um WP, sabia que o aplicativo era meio limitado nessa marca de aparelho. Porém, acabei baixando o dito cujo. E virei, talvez não heavy user, mas um forte entusiasta do modus operandi da bagaça.

Existe uma velha máxima que diz que fotografia é momento. E eu concordo com ela. Você pode se valer das técnicas mais apuradas pra uma boa fotografia, mas se você não tem o momento certo, é como sexo sem a violência da famosa “química”, a foto brocha.

O que eu mais gosto nesse aplicativo é justamente isso, como o próprio nome diz, o foco está no instante. Essa facilidade de sacar o telefone, clicar, enquadrar, filtrar, e publicar fez com que as possibilidades de uma boa foto venham com muito mais frequência do que nos procedimentos tradicionais, sejam eles analógicos ou digitais.

É claro que, como toda ferramenta, o resultado sempre vem conforme o propósito que se tem em mente. Mas isso não é uma exclusividade do aplicativo. É possível produzir inutilidades fotográficas com uma Polaroid, ou uma câmera profissional.

Sem falar que o uso do instagram tem me feito sentir cada vez mais vontade de aprofundar e eventualmente estudar as variáveis e as peculiaridades do que faz e do que representa uma boa foto. Eu diria que dá pra arriscar o quadrangular da foto perfeita: o momento, a mensagem, o sentimento, e a dose (temperada) de técnica.

instagram moça lendo

 mocinha devidamente “instagrada”. (@emptyspacesalex)

Posted in comportamento, internet, opinião | Tagged , | Comentários

bolacha na vitrola: rapidinhas (1)

paul mccartney new

New (Paul McCartney, 2013): Sir Paul McCartney é uma lenda viva, claro, mas dá pra dizer que é a lenda das lendas. Cravar uma “bolacha” de música pop deliciosa como esse New depois de septuagenário não é para poucos, é pra um só. É admirável o espírito desse sujeito pra manter a vitalidade depois de tantos anos de “estrada”. Só a faixa de abertura Save Us já vale todo o disco, uma espécie de Band on the Run reloaded século XXI muito classuda (reparem no maravilhoso uso das “palminhas” aqui e em 1973). Eu gosto bastante também de On My Way To Work (com o carimbo do estruturalismo-mccartiano-de-canção-gritantemente-simples-e-gostosinha), Queenie Eye (que “cheira” a Beatles 1968, a la Lady Madonna), e Appreciate (que mostra o tamanho da bitola de versatilidade do ex-beatle mais “cabeça aberta”, musicalmente falando). Obrigatório para apreciadores de música Pop com “p” maiúsculo.

cotação empty spaces: 9,35

 Kaiser Chiefs Education, Education, Education & War

Education, Education, and War (Kaiser Chiefs, 2014): parece que os caras do Kaiser Chiefs (re)encontraram o rumo da boa música com esse petardo, depois do antecessor bem escroto. A banda nunca fez álbuns memoráveis, com canções diferenciais, mas tem a manha de produzir discos com canções ligeiras, grudentas e gostosinhas num nível médio bem coeso e constante. Nesse sentido, esse trabalho lembra os dois primeiros, os melhores da banda. Minhas faixas favoritas são Coming Home, Misery Company, e My Life (essa última tem uma introdução com uns acordes no estilo “tecladinho de churrascaria” que sempre me faz visualizar um hipotético clipe deles numa dessas Fogo de Chão da vida).

cotação empty spaces: 8,75

 kasabian 48-13

48:13 (Kasabian, 2014): Temos aqui um álbum polêmico para os fãs do pós-britpop. Não que o pessoal do Kasabian sejam reconhecidos como roqueiros tradicionalistas, pelo contrário, a eletrônica está no coração da banda. Porém, aqui eles foram mais longe, e a coisa ficou meio estranha. Muita gente torceu o nariz, mas eu achei que o resultado final fica mais pro razoável do que pro “meia-boca”. Não é um álbum ruim, mas dá a sensação de que é um tipo de trabalho de transição pra algo mais redondo e coeso. E é aí que o disco compromete um pouco, tem uma quantidade razoável de altos e baixos, e se “arrasta” por uns bons trechos. Pra mim, o melhor desses pontos altos ficam com as faixas Clouds e Eez-Eh. Se eles conseguirem lançar um próximo álbum com o padrão dessas duas músicas nessa toada mais experimentelista, aí teremos um discão.

cotação empty spaces: 6,95

 Beady Eye BE Cover

BE (Beady Eye, 2013): Uma amiga minha gosta de tirar um sarro comigo quando conversamos e discutimos sobre a qualidade de álbuns de música sempre argumentando com um “bom, olha, considerando que você gosta de Beady Eye..”. Eu não acho que considerar a banda do Liam Gallagher como uma boa banda seja uma aberração. O problema é que a banda anterior dele foi o Oasis. É como comparar Wings com Beatles. É uma sacanagem a priori. Se Different Gear, Still Speeding era uma espécie de “raspa de tacho” das canções que sobraram nos momentos finais do Oasis e o Liam levou com ele, o álbum BE dá uma cara própria pra banda. Faixas como Flick of the Finger e Second Bite Of The Apple (minhas favoritas) mostram que o “Oasis sem Noel Gallagher” tem consistência, que, claro, não está no mesmo nível das melodias do cérebro do Oasis.

cotação empty spaces: 8,05

 Miles Kane Don't Forget Who You Are

Don’t Forget Who You Are (Miles Kane, 2013): Miles Kane é “filhote” de Paul Weller, com cara de Arctic Monkeys. Em outra palavras, é boa música. Esse álbum, assim como o primeiro, é biscoito fino, talvez com mais “pegada”. Minhas faixas favoritas são a faixa-título e Better Than That. Miles é daqueles casos pouco comuns de artistas que superam (e muito) em carreira solo a banda de origem, no caso aqui, o grupo-relâmpago The Rascals. Estou na torcida por um álbum de parceria entre o Modfather e o Modson, não teria como dar errado.

cotação empty spaces: 8,25

 band of skulls himalayan

Himalayan (Band of Skulls, 2014): Band of Skulls é sem dúvida uma banda subestimada. Se não propriamente subestimada, não tem o devido destaque que seria merecido nos holofotes da mídia. Não sei se esse terceiro álbum é tão bom quanto o primeiro, no conjunto, mas traz um pacote de faixas que são excelentes, entre elas: a faixa-título, Asleep At The Wheel, Nightmares, e a minha favorita, Hoochie Coochie. Talvez o que diminua um pouco aqui o resultado final do trabalho seja um certo excesso de músicas.

cotação empty spaces: 7,85

 Lazaretto

Lazaretto (Jack White, 2014): Pra mim, até o momento, é o álbum do ano. Jack White é um workaholic do bem. E nessa incipiente carreira solo ele está conseguindo se superar, mantendo a vitalidade que veio do White Stripes adicionando novas firulas sonoras que transformam aquela base do velho blues-rock em algo fresco e excitante. No momento o difícil é definir qual é o melhor, o primeiro ou este último rebento. Esses dias voltei a ouvir Blunderbuss e não dá pra dar um veredicto. Mas a sensação que eu tenho é que os dois discos fazem parte de uma mesma “onda criativa” do guitarrista. Com o primeiro sendo mais redondo e harmonioso, e o segundo mais áspero. Seja como for, é biscoito finíssimo, e indispensável pra quem curte rock and roll. Tenho quatro favoritas: Three Women, a faixa-título, Just One Drink e a belíssima Would You Fight For My Love?

cotação empty spaces: 9,85

 u2 songs of innocence

Songs of Innocence (U2, 2014): Difícil achar alguém falando bem do álbum do U2. Provavelmente rola uma má vontade depois da desastrada estratégia de marketing de divulgação do trabalho. Com o tempo provavelmente o pessoal vai perceber que é a melhor “bolacha” da banda não em anos, mas em décadas. Dá pra sentir nos meandros de cada faixa que o grupo tenta buscar um pouco do espírito daquela época de ouro de criatividade (Joshua Tree, Achtung Baby, Zooropa e Pop), sem falar que a guitarra do The Edge está mais afiada que o normal, o que faz uma baita diferença no trabalho da banda. O álbum é bem coeso e regular, mas eu destacaria (como minhas favoritas) The Miracle (Of Joey Ramone), Raise By Wolves e This Is Where You Can Reach me Now. Parece que o álbum faz parte de um projeto conceitual baseado na obra do poeta inglês William Blake, e que haverá em breve um segundo round chamado Songs of Experience. Aguardemos.

cotação empty spaces: 8,95

OBS: “Bolacha na Vitrola” não é crítica de música especializada, as opiniões e cotações aqui expostas são mera e espontaneamente leigas e impulsivas.

Posted in música, opinião | Tagged , , , , , , , , , | Comentários

momento do colapso

Colapsos causam prolapsos. Daqueles momentos em que tudo entra num estado de suspensão, as variáveis abandonam o caos e convergem. Você sente as paredes das veias se contraindo como um aperto de mão sem fim entre bons velhos amigos. Parece vertigem, mas não é. E você se agarra na própria respiração. Os segundos se arrastam, e aos poucos tudo se restabelece. No monitor, os números e nomes nas linhas do Excel voltam a fazer sentido.

Aos poucos eu vou pegando o jeito, e sobrevivendo. Já até me imagino como um Paul Banks do mundo corporativo, cantarolando, nos segundos iniciais, com toneladas de ironia, claro. You fly straight into my heart, but here comes the fall.

Posted in cotidiano, sentimentos | Comentários