Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

mais divagações sobre o tempo e medidas de relatividade

Patio dos Leoes

Este é o portão do “Pátio dos Leões”. Eu sempre tenho a memória muito clara. Era janeiro ou fevereiro de 1999 e eu entrava por este pátio para o meu primeiro contato com o universo universitário (ficou péssimo isso). O “mundo adulto” chegou pra mim ali, com seus estresses e maravilhas.

Sempre quando eu acabo divagando sobre o tempo é esta memória que aparece fresca na minha cabeça. É um parâmetro que “pipoca” na mente. A última “pipocada” no caso, foi me (re)lembrar esta manhã que estamos no ano de 2015.

15 anos. É interessante constatar como cada um reage e tem a sua medida de relatividade do tempo. Convencionalmente, é tempo, muito tempo, uma década e meia. Tempo suficiente para existirem duas bandas The Beatles. Porém, para mim, ali no dito íntimo existencial, tudo está muito perto e muito ligado àquela sensação de liberdade dos primeiros passos. Não consigo ver o “velho” em quem teoricamente estou me tornando.

Quando divagamos sobre isso fica fácil notar que muitas pessoas (provavelmente a maioria) trabalham com uma medida de relatividade oposta. E aparentemente afirmam categoricamente para si mesmas, sem pestanejar: 15 anos passados, estou velho.

Eu sempre brinco com o meu vindouro e socialmente convencionado estado de “tio”, mas não consigo me sentir assim. Pelo contrário, estou espiritualmente mais com o meu “eu” de 1999, trabalhando junto com ele como um irmão uns dois anos mais velho.

Esse tipo de internalização parece ser determinante na nosso de existência, e é muito fácil sentir isso. Assim como é fácil sentir e entender, já que citamos Beatles, como um sujeito como Paul McCartney não abandona o seu “eu” de 20 e poucos anos e definitivamente não é o que poderíamos chamar convencionalmente de um vovô de 70 anos.

Para ele, a sua medida de relatividade está com o seu “eu de liberdade” que ele não abandona.

E eu queria arriscar que, a despeito de condições outras que estão fora do nosso controle e possam interferir, traçar essa medida é uma escolha, uma opção.

Estou filosoficamente com o “partido do livre arbítrio”. O que ajuda a deixar tudo muito mais leve e gostoso. Como a xícara de café desta preguiçosa manhã que beira à perfeição, obviamente, na medida da minha cafeinada relatividade.

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telão com pipoca: rapidinhas (10)

Ralatos Selvajes

Relatos Selvagens (Relatos Selvajes, 2014): Um dos melhores filmes que vi o ano passado. Como bem lembra essa resenha lá no Scream & Yell, o diretor e escritor Damián Szifron pode ser classificado como uma espécie de (novo) Quentin Tarantino sul-americano. Altas doses de humor negro, roteiro esperto, tudo se encaixa bem, não tem ponto fora da curva. Recomendadíssimo.

cotação empty spaces: 9,8

Interstellar

Interestelar (Interstellar, 2014): Temos aqui o Christopher Nolan tentando fazer o seu “2001”. No geral eu gostei do filme, mas eu não consigo me entusiasmar muito com os trabalhos do sujeito, toda película dele parece, nas palavras do “poeta” Chorão, uma “mulher de fases”. Grandes momentos de repente se perdem no roteiro com uns lances meio digressivos desnecessários, entre outras firulas. Mas vale um ingresso de cinema, um aluguel de DVD, um download, ou um streaming, sem medo.

cotação empty spaces: 7,85

Jackie Brown

Jackie Brown (1997): Talvez seja o filme menos pretensioso do Quentin Tarantino. Acho complicado comparar a “odisseia” de Jackie Brown com a de Beatriz Kiddo, mas me simpatizei mais com a humanidade bem mais realista, digamos assim, da Jackie, uma personagem com mais nuances e contradições do que a epic-revenge e cartunesca protagonista de Kill Bill.

cotação empty spaces: 9,05

Chef

Chef (2014): Boa e leve comédia com um classudaço elenco de apoio. Uma das coisas que eu mais gostei foi a forma como a internet e as redes sociais (com destaque pro twitter) entram e se tornam elementos centrais na história. Importante não assistir ao filme com fome senão a coisa fica tensa.

cotação empty spaces: 8,5

Under The Skin

Sob a Pele (Under the Skin, 2013): Não vamos negar que um dos motivos pra assistir a esse filme era ver Scarlett como veio ao mundo, claro, mas não só. Já tinha ouvido falar que era um bom trabalho, diferenciado, mas imaginava a coisa em moldes mais tradicionais. Porém é num nível metafórico hardcore que o enredo se desenrola, e o telespectador passa a maior parte do filme incomodado (pelo menos eu fiquei). Mas quando o novelo é desenrolado, percebe-se a necessidade daquele incômodo. Vale a pena conferir, mesmo que seja pra falar mal.

cotação empty spaces: 8,65

NightCrawler

O Abutre (Nightcrawler, 2014): Junto com Relatos Selvagens, divide a dianteira dos meus filmes favoritos deste último ano. Dirigido e escrito por Dan Gilroy, irmão do craque Tony Gilroy, responsável por filmões como Conduta de Risco e Identidade Bourne, é um trabalho deliciosamente tenso e atual. E dá pra dizer que o ótimo resultado não seria possível sem a perfeita atuação de Jake Gyllenhaal, desenvolvendo um personagem que em vários momentos me fez lembrar do emblemático Travis de Taxi Driver, com as devidas adaptações. Recomendando a tudo, todos, e todas.

cotação empty spaces: 9,8

What If

Será Que? (What If, 2013): No começo fiquei meio perdido com os diálogos rápidos demais, mas o filme vai melhorando com o passar do tempo, principalmente no terço final. Estou pensando em como definir, mas eu diria que é algo como uma comédia romântica nerd-hispter, Harry Potter com instagram e crises afeto-existenciais. Entra ali na linha das películas pra passar o tempo, and only.

cotação empty spaces: 7,3

A Fortaleza Escondida

A Fortaleza Escondida (Kakushi-toride no san-akunin, 1958): Daqueles filmes pra ter guardado em casa, e foi isso que eu fiz, última aquisição em DVD. Tem até um depoimento do George Lucas dizendo que foi uma de suas inspirações para “desenhar” Star Wars, só isso. Enfim, é um clássico do Akira Kurosawa, vale cada centavo investido só para ter aquela sequência do Toshiro Mifune cavalgando a 120 km/h com a espada em punho. But there is more, much more.

cotação empty spaces: 9,0

OBS: “Telão com Pipoca” não é crítica de cinema especializada, as opiniões e cotações aqui expostas são mera e espontaneamente leigas e impulsivas.

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divas veraneias

nuvens veraneias(essa é uma “peso pesado” do mês passado, cada vez menos unidas e constantes)

Uma saudade que eu tenho. Os grandes “exércitos” de nuvens veraneias no sudeste brazuca nesta época do ano. Carregadas, pesadas, densas, tensas, encharcantes. Saudade daquele pelotão que chegava ali no começo de dezembro e só ia embora em meados de abril.

Atualmente elas estão esqueléticas, top models atmosféricas. A sustança, as “celulites aeropluviais” desapareceram. Volta e meia se localiza um complexo de nuvens a la Marilyn Monroe no verão tupiniquim atual. Divas das alturas, elas não dão as caras como antes. Umas e outras aparecem para “causar” em finais de tarde aleatórios, e só.

Segundo especialistas, em peso, elas só voltam em 2017. Na torcida para que as ditas se animem com as batucadas carnavalescas e marquem presença em fevereiro.

Meninas, voltem. Precisamos de vocês. Não é questão de beleza, nem de “termoamabilidades”. É sobrevivência mesmo. Um beijo.

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