Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

2017, semestre um

Even-steven.

Gosto dessa expressão yankee pra classificar situações quando a coisa não fede nem cheira, não se ganha nem se perde. Acho que dá pra resumir meu primeiro semestre de 2017 assim.

Com o ambiente envolto em crise, depressão econômica e política, eu poderia reclamar, mas não vou, porque even-steven. Trabalhamos muito, travamos, semi-burnout, não deixamos tempo pra mais nada, pras idéias, pros planos. Quer dizer, pelo menos planejamos parte das férias. Porém, não perdemos emprego, não fomos tragados por desastres, acidentes, atentados, não criamos inimigos mortais. Não usamos crocs com meias nesse outono/inverno especialmente eficiente.

Apesar de curtir a expressão, a realidade é que even-steven é puro tédio. E como não poderia deixar de ser, a meta pro segundo semestre é lentamente ir matando esse status. De forma temperada, pragmática, tipo aquelas aranhas que prendem a vítima na teia e vão sugando ela viva aos poucos.

Embora pra mim a coisa tenha ficado no 0 a 0, no 1 a 1 nesses 6 meses, não há como negar o caráter iminente e provavelmente definitivamente bizarro desse ano de 2017. Já tentei conceituar o espírito de 2017 de várias maneiras na minha cabeça, observando frases, memes, notícias, mas nada moldou 100% o feeling. Talvez a resposta esteja nesse vídeo abaixo: Jim Carrey cantando Creep do Radiohead dentro de um bar em Manhattan.

Essa total falta de conexão entre ser Jim Carrey, Creep, Radiohead, a afinação, o compasso da banda, a platéia, o lugar. Isso é puro 2017, pura “insólitez” e bizarrice.

What the hell am I doing here?

E vamos pro segundo tempo.

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a relíquia

empty space astronaut walk

Quase 6 meses sem atualizar o blog. Aquela busca sem sentido para localizar culpados. 2017 não ajuda, nem um pouco. Ano chato, insosso, deprê, paralisante. Ele talvez seja o maior culpado sim, mas sei lá. Já não é a primeira vez que me pego questionando sobre a mínima relevância de manter este espaço. A morte dos blogs pessoais, toda aquela “questã”. Graças a minha teimosia, e ao meu titubeio em agir no sentido contrário, ele segue em coma.

Para evitar atos impensados e compulsivos, tenho procurado pensar no dito como uma relíquia. Um acervo do passado que deve ficar aí no “ar”, em suspenso, para que seres humanos eventualmente pensantes da era da “pós-verdade” possam consultar, analisar, estudar, como um fóssil.

Estamos empregando uma certa dramaticidade, mas é uma forma de trazer um pouco de conforto para este estado paralítico. Na verdade tenho pensado em formas de tentar me manter mais ativo, e tenho chegado à triste conclusão de que escrever cada vez menos acabará sendo o caminho. Mantendo o espaço, mas cada vez menos como um blog, e mais como qualquer outra coisa. Um instagram “de luxo”. Um whatsapp  próprio, personalíssimo, “disparador” de mini-textos.

Talvez aconteça algo parecido com o que aconteceu quando saímos do Empty Spaces Chronicles 1.0 para o 2.0, mas só que dessa vez não só no plano estético. Aquele ânimo para dar uma reviravolta. Tentar manter isso aqui interessante, pelo menos pra mim, mais uma vez. Empty Spaces Chronicles 3.0 no horizonte, quem sabe.

Ajuda aí 2017.

credit photo: NASA
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sobre construir significados e encarar a si mesmo

Cá estou eu, nos meus primeiros dias de férias, pensando na vida, nas pessoas queridas, nas coisas que farei nestas férias, e nos rumos daqui por diante.

Sim, precisamos tomar decisões. Decisões são o grande fardo, e o grande tesão da vida adulta. E junto com ela vem outro pequeno detalhe que é essencial, a construção dos significados.

Esses dias me peguei pensando sobre isso, o que nos deixa tão angustiados depois que deixamos de ser crianças, adolescentes, early djovens, aqueles anos de leveza, que parecem que duram eternamente. Aí me veio na cabeça essa questão dos significados que necessariamente precisamos dar pras coisas, pras pessoas, pra todo o universo que passa na frente da nossa consciência.

Ali, na infância, na adolescência, na early djuventude, por alguma mágica, eles nos são dados, por alguém, por alguma coisa, pelos nossos pais, mas nós nunca precisamos, conscientemente, construir significados pra nossa trilha existencial. Eles são “mini-presentes” que o conforto dessas “eras” existenciais nos dão.

A lenta quebra, o início da transição para a extinção dos “mini-presentes”, pra mim, começou ali com meus 25 anos. E sinto que está fechando um ciclo gradual agora, 10 anos depois. Um fechamento que, digamos, se traduz da seguinte maneira: “meu caro, você está no seu auge, no pico da sua existência, nós aqui da fábrica de mini-presentes já fizemos o que precisava ser feito e te ajudamos o suficiente, agora é você quem vai construir sozinho, os significados da sua existência.”

Eu já falei muito aqui no blog, direta ou indiretamente, sobre os ciclos de 3 anos que me fazem suavemente “trocar de pele”, eles continuam, mas agora parece que vem algo maior a ser encarado. Bem mais deep.

Dá medo, claro que dá. Mas o mais legal é que está me dando “pistas” de como construir a “descida da ladeira” lá na frente. E me forçando a tomar algumas decisões muito duras pra mim mesmo (e pras cercanias), mas que são essenciais, e não podem mais ser adiadas.

Parece algo simples na nossa trajetória, dar significado às coisas, às pessoas, aos sentimentos, mas não é, definitivamente. Tomar controle total sobre a dação de significados da sua existência é antes de tudo encarar a si mesmo. O que é aquele nosso maior desafio. The Big One. Aquele aliás que muita gente posterga, morre sem encarar, ou finge que está encarando. E ninguém, digamos, normal, começa a encarar antes da fábrica de “mini-presentes” fechar as portas.

Comecemos.

 

 

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