Empty Spaces Chronicles 2.0

Opinião e Sentimentos em pequenas cápsulas, vácuo adentro.

Uma cidade, um café: Atibaia, Geek Art Café

Eu gosto de viajar, mas não como um turista tradicional. E gosto dessa coisa de explorar a “manga curta”. Aqueles destinos que estão ali do seu lado, num raio de uns 100, 200 km de distância. Coisa que você pode vivenciar num bate-e-volta, ou num pernoite. Pouco gasto, pouco cansaço. Delicinha.

Morar na geo-privilegiada Campinas também ajuda. Sampa ali do lado, montanhas da mantiqueira e as alterosas mineiras em duas horinhas de carro. Sul e centro-oeste paulista também rolando num bate-e-volta fácil. E as praias também despontando numa pernada leve.

Como muitos leitores desse espaço já sabem, outra coisa que gosto de fazer é tomar café, e muuuito café. Um vício feroz, porém totalmente controlado e trabalhado como manda o figurino.

Vou tentar aqui no blog lançar essa “sériezinha”, Uma cidade, Um café, combinando duas atividades extremamente prazerosas pra este blogueiro em textos que vão prezar pela simplicidade e descompromisso. A expectativa é liberar o “tesão literário” do escriba e deixar esse espaço cibernético produtivo.

Atibaia, Geek Art Café

Em um final de semana recente dei um pulo em Atibaia. 64 km de Campinas, mais ou menos 40, 45 minutos de carro. Mesma distância de SP praticamente, pela Fernão Dias.

(Igrejinha em Atibaia)

Além de Campinas aqui na região, já morei em Itatiba, que é uma cidade vizinha de Atibaia, e não sei porque cargas d’água nunca visitei a cidade. Na verdade meu pai não visitou, porque eu era criança/adolescente na época e tinha minhas limitações de autonomia enquanto persona.

Nesse período em que estava pelo vilarejo da “muita pedra” sempre ouvia um papo de que Atibaia tinha sido eleita a cidade com o melhor clima (meteorológico) do Brasil. Sempre tive uma certa desconfiança desse lance de melhor clima, porque morava na cidade vizinha e o clima era bom, mas nada pra ser classificado como o vizinho do melhor clima do Brasil.

Passar a tarde de um domingo lá foi suficiente pra captar um pouco desse lance do clima, que eu desconhecia. A cidade fica em cima de um morro suave, e ladeada pela famosa “Pedra Grande”, num tipo de terreno que é um híbrido entre início de serra (da Mantiqueira) e do terreno mais plano que começa na altura de Campinas. E o clima, em todas as suas nuances, é fucking very good mesmo.

Mas vamos pro café.

Já tinha determinado a ida pra Atibaia e pesquisei no google por cafés interessantes na cidade. O leque de opções não era lá muito grande. mas este chamou atenção: Geek Art Café.

O que eu gosto de café em cidades menores do interior é que, mesmo que sejam temáticos ou tenham uma proposta mais específica, eles não são pretensiosos. Como é natural, rola as vezes um certo amadorismo, uma certa inexperência, mas que na maioria das vezes é suplantado pela força de vontade em atender bem. É o caso aqui.

Pelo que notei o negócio é tocado por uma mocinha nutricionista-barista chamada Fernanda, e a família dá um suporte no atendimento. A temática é nerd, óbvio. Mas nada muito espalhafatoso e exagerado. É discreto. E o ponto nevrálgico foi fully approved: o café é muito bem preparado e de qualidade, com o peso da formação da moça, boas e divertidas opções no cardápio para acompanhamento. Aliás, comi um stormtrooper.

Outro destaque é a trilha sonora. Pelo menos no dia que baixei por lá estava biscoito fino. Bem no gosto deste escriba. Indie-pop e rock alternativo dominando.

A localização não é simples mas também não é escrota, fica numa avenida com fácil acesso pela rodovia Fernão Dias. Se você vier pela Rodovia Dom Pedro, tem a opção de pegar um trecho da Fernão Dias e utilizar o citado acesso, ou entrar pelos acessos que cruzam o centro da cidade, mas nada grave pra quem estiver com um Waze ou tenha uma mínima noção de tempo-espaço e geolocalização.

Em suma, pra quem estiver passando pela região, ou tiver como destino a cidade, ou ainda viver na cidade e por ventura ser leitor deste humilde blog, #ficadica. E a recomendação do espaço.

                     

(Geek Art Cafe)

Ficha (supostamente) técnica

Ambiente: ☕ ☕ ☕ ☕

Preparo e degustação do café: ☕ ☕ ☕ ☕ ☕

Acompanhamentos culinários: ☕ ☕ ☕ ☕

Trilha Sonora: ☕ ☕ ☕ ☕ ☕

Localização: ☕ ☕ ☕

Um videozinho promocional-reportagem que eu achei de uma TV local:

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aborto cibernético e a morte da internet

O “estado-atual-do-mundo-internet” é meu novo vilão pra não aparecer mais por aqui. O desânimo virtual anda alto. Mas a gente (ainda) é teimoso, dá aquela “beliscadinha”. Pois eu vim, e pra reclamar um pouco claro, pois essa agora é a grande função da internet.

Reclamar levando em conta essa perspectiva de já ter passado por várias “internets”, desde o já bem longíquo 1996. Altavista, Netscape, provedor discado. Rapazzz.

Depois tivemos ali no começo dos anos 2000 até o final da década, comecinho da próxima vai, até 2011, aquela golden age da internet. Explosão da música, blogues, myspace, fotolog, orkut, twitter (ó twitter, o último bastão está morrendo também!) comunidades virtuais onde realmente se discutia, criava, exalava-se boas argumentações. We miss (a lot).

Coincidências à parte, foi depois dali, de uns 3 anos de “boom-novidade” do Facebook, e quando ele se torno o grande master of the universe da rede que a coisa degringolou. Aí foi ladeira a baixo até chegarmos na escrotíssima “pós-verdade” e a “morte” propriamente dita da internet como a conhecemos.

Digo morte porque realmente estão tentando matá-la para criar um zumbi devastador.

Essa notícia é a grande e certeira punhalada:


Eu diria que já temos um rest in peace, um zumbi embrionário gestando há um bom tempo. E essa postagem “histórico-reclamona” tem como principal finalidade “jogar o verde” pra nos organizarmos em torno de uma certa resistência. Confesso que tenho muita preguiça e, repetindo, desânimo.

Ctrl C Ctrl V no título. Aborto cibernético.

Sim, pra terror do pensamento “bundinha” dominante, é disso que precisamos. A forma mais fácil, rápida, direta de arrebentar com esse zumbi-monstro que vem. E vem forte.

Confabulemos meu povo. Sobre métodos, idéias, timing.

Aqui na mini-esfera do “conteúdo”, criemos a content-“aliança rebelde”. Pelo menos a gente levanta o nosso cartaz.

Agora chega de “domquixotismo-ciberespacial” (e de neologismos ridículos) e voltemos pro peso da gravidade.

See ya.

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2017, semestre um

Even-steven.

Gosto dessa expressão yankee pra classificar situações quando a coisa não fede nem cheira, não se ganha nem se perde. Acho que dá pra resumir meu primeiro semestre de 2017 assim.

Com o ambiente envolto em crise, depressão econômica e política, eu poderia reclamar, mas não vou, porque even-steven. Trabalhamos muito, travamos, semi-burnout, não deixamos tempo pra mais nada, pras idéias, pros planos. Quer dizer, pelo menos planejamos parte das férias. Porém, não perdemos emprego, não fomos tragados por desastres, acidentes, atentados, não criamos inimigos mortais. Não usamos crocs com meias nesse outono/inverno especialmente eficiente.

Apesar de curtir a expressão, a realidade é que even-steven é puro tédio. E como não poderia deixar de ser, a meta pro segundo semestre é lentamente ir matando esse status. De forma temperada, pragmática, tipo aquelas aranhas que prendem a vítima na teia e vão sugando ela viva aos poucos.

Embora pra mim a coisa tenha ficado no 0 a 0, no 1 a 1 nesses 6 meses, não há como negar o caráter iminente e provavelmente definitivamente bizarro desse ano de 2017. Já tentei conceituar o espírito de 2017 de várias maneiras na minha cabeça, observando frases, memes, notícias, mas nada moldou 100% o feeling. Talvez a resposta esteja nesse vídeo abaixo: Jim Carrey cantando Creep do Radiohead dentro de um bar em Manhattan.

Essa total falta de conexão entre ser Jim Carrey, Creep, Radiohead, a afinação, o compasso da banda, a platéia, o lugar. Isso é puro 2017, pura “insólitez” e bizarrice.

What the hell am I doing here?

E vamos pro segundo tempo.

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